sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

"Acompanhando os Escoteiros do Cisne na visita ao Comando de Fuzileiros Navais"

Foi numa quarta-feira, no dia 10 de outubro de 2012, que tive a oportunidade de realizar um dos trabalhos voluntários mais significativos da minha vida.
Minha tarefa nesse dia foi assessorar a Operação Cisne Branco e Azul, acompanhando o Grupo Escoteiro Cisne em uma viagem ao Comando Geral de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro. 
A aventura começou às 06:00hs da manhã, quando o grupo entrou no ônibus cedido pela parceira Leads, na Avenida São Camilo, rumo ao Aeroporto de Viracopos.
Ao chegar lá, o grupo foi tomado por uma mistura de ansiedade e de emoção, já que a maioria ali nunca tinha voado de avião. Lá, embarcamos num vôo da Azul Linhas Aéreas, rumo à Cidade Maravilhosa. Depois de fazer o Check-in do grupo de 29 pessoas, a galera seguiu feliz para dentro do avião, um moderno jato Embraer-195.
 
 
Nosso vôo decolou às 08:12hs com destino ao Aeroporto Santos Dumont. Nosso retorno seria do mesmo dia, por volta das 18:04hs. O receio pelo "novo", deu lugar à surpresa quando o avião começou a correr na pista. Ao sair do solo, um grito coletivo de alegria contagiou todos os passageiros.
A viagem curta contou com lanchinho rápido e momentos únicos para as fotos, uma lembrança que com certeza jamais será esquecida, nem por mim, e nem por eles!
 
 
 
 
 
 
 
 
Sobrevoando a Cidade Maravilhosa, foi impossível não me sentir emocionada e feliz, por fazer parte dessa história, em um momento tão especial na vida desses jovens! Essa emoção ficou eternizada nessa foto, da Baía de Guanabara, com o Pão de Acúcar ao fundo.
Ao desembarcarmos, ainda no finger, um misto de euforia tomou conta do grupo, que começou a cantar o hino dos escoteiros ao som do pandeiro do chefe Portelinha: Sempre Alerta!, dizia a música contagiante e repleta de alegria!
 
Ao chegar ao saguão do Santos Dumont, fomos recebidos pelo sub oficial Queiroz, Fuzileiro Naval no Rio de Janeiro, também escoteiro e velho conhecido do Grupo Escoteiro Olavo Bilac, em Brasília.
Chegada no Santos Dumont: Chefe Achyles, Sub oficial Queiroz e Chefe Armando
Grupo posa para foto antes de embarcar no ônibus rumo à Ilha do Governador
Ele foi nosso cicerone até a Divisão Anfíbia do Comando de Fuzileiros Navais, na Ilha do Governador, onde fomos recebidos pelas Tenentes Paula, Andrea e Beatriz e pelo assessor de imprensa Felipe.
O Batalhão de Artilharia
O primeiro lugar que fomos conhecer foi o Batalhão de Artilharia!
Lá o Grupo aprendeu sobre os Obuseiros de 105 mm e de 155 mm. Para quem não sabe o que é um Obuseiro (e eu também não sabia), é uma peça de artilharia parecida com um canhão. A diferença é que o canhão realiza fogo direto, ou seja, é apontado diretamente para um alvo, enquanto o "obus" dispara em trajetórias parabólicas. A finalidade de um canhão é atingir um alvo específico, enquanto a de um obus é, no jargão militar, "bater área", ou seja, bombardear uma área com salvas seguidas que caem em pontos próximos, mas não exatamente no mesmo ponto. E derruba um avião, gente!
 
Os anfitriões montaram um "stand" ao lado dos obuseiros, com várias peças de Artilharia, e foram explicando aos nossos escoteiros como era seu funcionamento, e tirando todas as suas dúvidas. A curiosidade deles era imensa!
 
Terminada essa parte da visita, fomos convidados para o almoço. O Comando preparou um gostoso strognoff de frango, servido com muito carinho.
 
Depois, um momento para a foto do grupo com os oficiais, e em seguida, fomos convidados a assistir dois vídeos: o primeiro, contando a história e as missões do Corpo de Fuzileiros Navais e um outro falando sobre a Ilha de Trindade, que pertence ao território brasileiro mais distante do continente, e onde está instalada uma base da Marinha do Brasil.
 
Conhecendo a Marinha do Brasil, num video apresentado pela Tenente Paula
O Batalhão de Blindados
De lá, seguimos até o Batalhão de Blindados, conhecido como "o berço dos Fuzileiros de Aço".
 
Quem nos recebeu foi o Capitão-Tenente Lussac, que nos deu uma aula mostrando as diferenças dos blindados e contando várias particularidades de cada um deles, como por exemplo o fato de um dos modelos novos ser bem aconchegante e ter até ar condicionado dentro.
Ele nos explicou sobre os Carros de Combate SK-105 e os blindados anfíbios M-113 e "Piranha". Alguns estavam fora da base, em operação. Outros pudemos conhecer de perto.
 
Andando num tanque de guerra!
O momento de maior adrenalina na viagem, foi quando o Capitão Lussac nos proporcionou uma experiência inesquecível: uma volta à bordo de um tanque blindado M-113.
O M-113 é um veículo com lagartas, com capacidade anfíbia limitada a pequenos cursos de água, mas tem alta velocidade em estradas de terra batida.
Em 2010, esses blindados foram utilizados pela Marinha em operações na zona norte do Rio de Janeiro, auxiliando a Polícia Militar para coibir atos de violência organizada. Os blindados foram tripulados por fuzileiros navais e transportaram policiais da tropa de elite da polícia do Rio, o BOPE, até o local do confronto com os bandidos.
Imaginem a alegria dos nossos escoteiros ao entrar pela primeira vez dentro de um verdadeiro tanque de guerra!
 
 
 
Os oficiais colocaram capacetes em todos e lá fomos nós andar de tanque, "com emoção"! Como eu disse na ocasião, "montanha russa é para os fracos" (risos).
 
Para quem acha que os tanques andam devagar, posso dizer que não é verdade, não...eles correm, e muito...e nessa hora você se sente dentro de um liquidificador (risos).
Em agradecimento pela recepção e pelo carinho, um enorme "Bravo, Bravo, Bravíssimo" à todo o Comando que nos proporcionou uma experiência única e inesquecível!
O agradecimento da Tropa ao Capitão Lussac: momentos inesquecíveis num blindado!
De volta prá casa
Depois de um dia cheio de adrenalina e de muito aprendizado por todas as partes, era hora de voltar para casa. Agradecemos a receptividade do Comando, preparada com muito carinho pelo Almirante Washington da Luz e por toda a equipe de fuzileiros, e seguimos rumo ao aeroporto, com mais uma missão cumprida. "Sempre alerta!", e a caminho de casa.
No aeroporto, depois de um dia repleto de adrenalina e muito aprendizado!
Com certeza essa experiência ficará gravada para sempre na memória do Grupo Escoteiro Cisne, o único Grupo Escoteiro oficialmente registrado na UEB – União dos Escoteiros do Brasil (órgão normativo oficial do Movimento Escoteiro no Brasil) formado unicamente por jovens com deficiência, ou, como preferimos nos referir, com limitação de autonomia psicossocial.

O trabalho desenvolvido no Grupo Escoteiro Cisne não se trata propriamente de uma adaptação do Escotismo ao jovem especial, mas, sim, de permitir que esses jovens participem do Movimento Escoteiro no ritmo, no tempo e de acordo com as capacidades e limitações próprias de sua condição de existir no mundo. Vemos que o que mais precisa ser adaptado é a nossa maneira de ver e de pensar em relação a esses jovens, acreditando que são capazes de crescer e amadurecer como qualquer outro.
Vale a pena fazer uma visita aos nossos Cisnes!
As atividades do Grupo Escoteiro Cisne são realizadas semanalmente, às quartas-feiras das 09:00 às 12:00hs, na sede do Instituto Cisne (R. Dr. José Altivo Leite Pinto, 195 – Sítio Pereira Leite, em Carapicuíba). Essa rua fica paralela á Avenida São Camilo, ao lado do Armazém do Nicolau.
O telefone para contato é 4169-7937 e 4169-7473.
Fotos: Fau Barbosa

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